É concreto pintado à mão na beira de uma rodovia. E é, para quem vive na região, uma fronteira real.
O arco de Alto Paraíso não tem nada de monumental de perto: cimento, tinta, um bicho pintado em cada pé. Mas todo mundo desacelera ao cruzá-lo.
A partir dali a paisagem seca, o horizonte abre e a serra aparece de lado. A estrada continua igual; o que muda é quem está dirigindo.
Aqui você não entra. Aqui você atravessa.
Foi essa passagem que o Cápsula quis trazer para o lago. Não a forma do arco, a sensação de atravessar.
Por isso a casa não tem porta de entrada, tem portal. Você não chega: você passa por dentro.
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