Praça de São Jorge, arte e artesanato
Vozes da Chapada 12 jul 2026

Quem faz o cristal virar joia

Em São Jorge, o cristal não é souvenir. É ofício, herança e um jeito de contar o tempo da terra.

A oficina fica nos fundos de uma casa de adobe, três quadras depois do asfalto acabar. Dona Neusa trabalha de costas para a porta, com a luz da tarde entrando de lado, a única iluminação que ela aceita para escolher pedra.

O quartzo chega bruto, tirado de garimpo antigo a poucos quilômetros dali. Antes de qualquer corte, ela deixa a pedra parada por uns dias. Diz que é para conhecer: onde a luz entra, onde ela para, onde tem trinca que ninguém vê no primeiro dia.

A pedra já vem pronta. Meu trabalho é não estragar.

Dona Neusa, artesã em São Jorge

A prata vem depois. O engaste é sempre mínimo, quanto menos metal, mais pedra. É uma regra de estética que também é uma regra de respeito.

As peças que chegam à feira do Cápsula saem daqui. Não há catálogo, não há repetição: cada engaste responde a uma pedra só.

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